sábado, 3 de dezembro de 2016

Quando eu partir






Hoje eu estava lembrando do dia em que cheguei a sua casa e me deu um vazio tão grande em saber que um dia terei de partir. Eu ouvi a senhora dizer: "Bob anda muito cansado", sabe, mãe, não é cansaço, não é falta de vontade, é o peso dos anos que já estão me maltratando e, acredite, isso dói tanto em mim. Dói saber que o fim está se aproximando, dói saber que a senhora reluta em ver isso, dói quando ouço a senhora me acordar de um sono profundo pra se certificar de que eu ainda estou vivo, mas a dor não é por ser acordado, a dor é por saber que um dia eu não responderei mais ao seu chamado. Eu queria tanto preparar a senhora para isso, mas não sei como, talvez não exista um jeito pra isso, e por pensar assim é que dou-lhe o que tenho de mais valioso, o que tenho de mais bonito que é o meu amor. Parece tão pouco, não é?! Mas eu e a senhora sabemos o tamanho desse sentimento, venho mostrando, ao longo desses onze anos, o quanto lhe amo, o quanto lhe protejo, o quanto me preocupo. Quando eu partir, não deixarei herança alguma, eu sei, mas lhe fiz conhecer o que é dedicação, o que é amar sem pedir nada em troca, o que é ir dormir todas as noites sabendo que tem alguém ali guardando a sua vida. Ah e se, por um descuido, eu vivesse além dos quinze, se, por um descuido, eu vivesse mais uns dez anos, eu seria o cachorro mais feliz do mundo. Quando eu partir, peça a minha vó que me desculpe pelos sapatos comidos, pelos ossos que carreguei para o quarto dela. Eu era só um bebê. À Preta, peço desculpas por tantos pêlos espalhados na casa, mas afinal, quem não cai o cabelo, não é?! Ao meu padrasto, desculpas pela implicância no início, mas eu tinha a missão de proteger quem tanto me deu amor. Quanto a senhora, obrigado por me amar de forma tão grandiosa, por ter me aceitado como filho, por ter cuidado de mim esses anos todos, mesmo sabendo que eu não daria nada, além do meu amor, em troca. Obrigado! 


                                        PRISCILLA KATIÚSCIA  GOMES DUTRA

sábado, 26 de novembro de 2016

Poema Em Linha Reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

domingo, 6 de novembro de 2016

Amiga-irmã







Irmão é aquela pessoa que é filho da mesma mãe, do mesmo pai e que, desde o início, compartilha conosco amor, carinho e cuidado. É aquela pessoa que a gente quer proteger do resto do mundo, que a gente não quer que nada de mal aconteça. É um ser pelo qual a gente briga e com quem a gente briga, mas no final ficamos de bem, pois o laço que nos une é maior que qualquer desentendimento.
E o que dizer dos irmãos que a vida se encarrega de nos apresentar? Ah! Estes não são filhos da mesma mãe, tampouco do mesmo pai, mas aprendemos a amá-los de forma incondicional. Desenvolvemos, ao longo do tempo, a necessidade de proteger, de cuidar, de participar das conquistas e de amparar na dor. À medida que os anos passam, a gente até esquece do laço de sangue que nos separa e começamos a construir o nosso próprio laço. Este é uma espécie de elástico, sabe, daqueles demasiadamente resistentes onde um pode ir pra onde for, passar o tempo que for, esticar como quiser, mas o ‘laço-elástico’ permanecerá lá, intacto, ileso, resistindo ao tempo, à distância e solidificando cada vez mais a relação entre as partes. Ter um amigo-irmão é isso, né?! É deixar a relação livre pela certeza que temos de que um é parte importante do outro, é a leveza do amor pelo que a pessoa é, pelo coração bom que tem e que a gente aprende a admirar, respeitar e amar até seus defeitos.
Minha mãe me deu dois lindos irmãos, mas a vida me deu uma irmã linda, um ser iluminado, um pessoa dessas que a gente pensa: “será que é de verdade?!” Sim! Ela é de verdade! Dona de um coração bondoso, de um sorriso lindo e de um jeito cativante. Minha amiga, nesses anos todos de relação já rimos tanto, choramos tanto, aprendemos tanto e eu sinto que ainda temos muito pra viver, pra aprendermos uma com a outra, sinto que esse elástico que nos une ainda terá muito trabalho, sinto que eu ainda preciso muito de ti, que tu és parte de mim. Assim como com os irmãos de sangue, eu sinto vontade de proteger-te de tudo, de ficar ali cuidando pra que nada de ruim aconteça, mas sabemos da impossibilidade disso, por isso oro e peço a Deus que cuide, proteja, que só te dê alegrias, que te guarde, que guarde nosso príncipe Miguel, que cuide da tua família(me sinto nela também. Hehe), que todos os teus dias sejam de bênçãos. Feliz aniversário, minha amiga-irmã! Te amo infinitamente.
                         
                                    PRISCILLA KATIÚSCIA GOMES DUTRA


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Feliz Aniversário, Meu Irmão



O mês de maio tem um brilho especial para mim, foi o mês em que ganhei de presente o meu primeiro irmão e de irmão, fez-se amigo, companheiro, cúmplice e, uma vez ou outra, meu delator. Um presente que atende pelo nome ‘Diego’. Um presente desses que você não pede, não quer porque acha que vai roubar seu lugar, mas que aceita e aprende a amar de forma inconteste. Bem, daquele 09 de maio em que ele chegou, pra nos completar, até aqui tantas coisas aconteceram, mas nada que não tenha nos ensinado e nos aproximado ainda mais, e entre encontros, perdas, tristezas e alegrias, aprendemos a ser fortes e descobrimos o valor de ter um irmão.
Só por hoje, eu queria brigar com ele pelo maior pedaço do bolo, pelo colo da nossa avó(e mãe), pela atenção do nosso ‘avohai’, queria correr com ele no quintal de casa, brincar naquele balanço feito com tanto carinho por quem tanto nos deu, acordar cedo para não perdermos o primeiro desenho animado da manhã, inventar coisas, improvisar brinquedos, quebrar coisas, correr na frente de mamãe com medo daquele famoso cipó da goiabeira, dividir o mesmo quarto,  vê-lo ir dormir e vê-lo acordar, descobrir a leitura e o mundo mágico por trás dos livros, tirar o chiclete que ele colava no cabelo das minhas bonecas e das minhas amigas. Seria bom reviver nossa infância outra vez, mas, também, é bom ver o homem em que meu irmão se transformou. Quando olho para ele, vejo o quanto absorveu os ensinamentos dos nossos pais, o quanto estes fizeram diferença na sua vida.
Há dois anos, deu-me a alegria de ser titia da princesa Maria Luíza e me orgulho do pai dedicado que ele é, marido exemplar da Márcia, irmão atencioso e amado, filho, neto, sobrinho, cunhado, genro e amigo, todos os papéis exercidos com excelência. Só posso agradecer a Deus pela dádiva de ter como irmão um ser admirável, de coração bom e riso fácil, de caráter decoroso e fé inabalável. Com um irmão desses foi fácil dividir a atenção da família, o difícil é estar longe, mas o laço que nos une é muito forte e essa distância é para que cada um de nós possa enfeitar a ponta desse laço à nossa maneira. Obrigada, Deus, por esse pacotinho de amor que, agora, multiplicou-se em três.

                                                Priscilla Katiúscia Gomes Dutra Moreno