sábado, 14 de dezembro de 2013

Ser feliz

Antes, achava-me diferente, anormal, porque, diferente de outras meninas, preferia chocolate à salada;
Pizza a legumes; Leitura à balada. Isso me deixava com um enorme complexo de inferioridade, achava que os meninos não olhavam para meninas que comiam chocolate, porque meninas que comem chocolate têm espinhas, são gordinhas, mas, apesar do complexo, eu não estava nem aí. Eu só queria ser feliz.
          Não tenho e nunca tive pretensões de ser linda, desejada, amada por alguém. Não preciso que me queiram para que eu esteja bem, só preciso estar feliz comigo e eu sou. Mesmo sem acompanhar os padrões da moda, mesmo sendo gordinha e bem longe do que, hoje, é tido com beleza pela maioria esmagadora das pessoas e dos que se dizem especialistas no assunto. Não tenho culpa de achar mais prazeroso e produtivo fazer uma boa leitura a passar horas em uma academia tentando ficar ‘gostosa’ aos olhos daqueles que só se preocupam com as embalagens, que não ligam se a namorada confunde o autor Victor Hugo com a marca famosa Victor Hugo.     
        Mulheres, os homens só precisam das ‘gostosas’ para saciá-los, mas o que eles gostam mesmo é de uma mulher com conteúdo, que goste de chocolate, que seja bem-humorada, independente, segura, sincera. Homem odeia mulher burra, interesseira, vulgar, pegajosa, mal resolvida. Então, ir para uma boa academia e botar alguns ‘litros’ de silicone não irão ajudar se você quer um homem de verdade. Visite uma biblioteca de vez em quando e substitua a compra de sapatos e bolsas por livros. Ah, e leia-os!

Priscilla Katiúscia



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Longe do meu lado


Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom, mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado
A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado.
Legião Urbana

Extraído de "O mundo de Sofia".

Somos um planeta vivo, Sofia! Somos um grande barco navegando ao redor de um sol incandescente no universo. Mas cada um de nós é um barco em si mesmo, um barco carregado de genes navegando pela vida. Se conseguirmos levar esta carga ao porto mais próximo, nossa vida não terá sido em vão." 
Jostein Gaarder
Não se pode experimentar a sensação de existir sem se experimentar a certeza que se tem de morrer(...). É igualmente impossível pensar que se tem de morrer sem pensar ao mesmo tempo em como a vida é fantástica."
Jostein Gaarder

Este inferno de amar

Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembro: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

  Almeida Garrett

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Soneto Proibido

De tudo farei pro esse sentimento transversal
Para não vê-lo sucumbir no meu peito
E a minha alma partir como um cristal
Quero vivê-lo, senti-lo e não terá jeito.

Ele chegou e me fez esquecer o que é proibido
Conseguiu arrancar de mim toda a angústia
Deixou meu coração totalmente desinibido
Só espero receber dos deuses a anistia.

Depois dele as minhas tardes são de emoção
Os desejos da carne estão a todo vapor
Ele pôs em festa todo o meu coração.

Só preciso estar perto deste homem
O meu garoto sincero e romântico
Que sem saber, sem sentir já me tem.


  Priscilla katiúscia

Blog do Freire (NOTÍVAGO-INSONE-PENSANTE): Poesia em Prosa: A Garota e o Tempo

Blog do Freire (NOTÍVAGO-INSONE-PENSANTE): Poesia em Prosa: A Garota e o Tempo: Os sentimentos  de tempo  precisam Precisam de tempo para acontecer? Porque os sentimentos não nos avisam Chegam assim, sem ama...

O "Adeus" de Teresa

O "Adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

Castro Alves                                   

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Canto de regresso à pátria



Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo


Oswald de Andrade

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ser poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Soneto de infância

Ainda lembro das noites movimentadas na minha rua
Das inúmeras e não tão inocentes brincadeiras
Essas lembranças animam minha vida ainda crua
A cada instante passa um turbilhão de memórias.

Os gritos, as carreiras, as brigas, os amigos
Minha infância não teria valido a pena
Sem sentir a força do vento nos cabelos
O medo do cipó perpassando a perna.

Era o cipó da pobre goiabeira que sofria
Todo dia um era tirado para as ameças
E a profecia geralmente se cumpria.

Mas ainda assim éramos felizes
Hoje não vejo as crianças correndo
Estão em seu mundo brincando de reis.



domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo

                                                                   
Nunca fui fã desse tal de domingo
sempre preferir a bela e forte segunda-feira
Nela eu fico livre como um flamingo
As ideias emergem e não fico de bobeira.


Meu Avohai

                                           
Acredito piamente no velho ditado que diz que pai é quem cria
Se ser pai é cuidar, educar, dar amor, carinho e apoia
Então, eu posso dizer que tive um grande pai
A vida me deu de presente um avô que se fez de avohai.

Meu avohai, meu pai-avô ou avô-pai, como queiram
Uma vida dedicada a cuidar dos netos que ganhara
Quando eu estava feliz, ele ficava radiante
Sua luta para cuidar da família era constante.

Mas Deus precisou levar de mim a minha fortaleza
E me deixou à deriva como um barco sem leme
Perdi, de forma abrupta, o amor e a leveza
Que tive todos os dias da minha vida ainda íngreme.

Pk Dutra

Quero um amor

                                                   
Cansei de tudo que me tira a paz e o sossego da alma
Agora só quero por perto quem me tira sorrisos e me acalma
Não quero dinheiro, mansão, apólices, carros...
Só quero um amor para chamar de meu.

Preciso com urgência de um motivo para ser feliz
De um homem de verdade e não um aprendiz
Um deus-menino para pôr em festa meu coração
Um amor para estar comigo a cada estação.

  Pk Dutra

sábado, 7 de dezembro de 2013

Aluísio Azevedo


Aluísio Azevedo (1857-1913) foi escritor brasileiro. "O Mulato" foi o romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. Foi também caricaturista, jornalista e diplomata. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Aluísio Azevedo (1857-1913) nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 14 de abril de 1857. Levado pelo irmão, o teatrólogo e jornalista Artur Azevedo, viajou para o Rio de Janeiro aos 17 anos de idade. Começou a estudar na Academia Imperial de Belas-Artes, onde revelou seus dons para o desenho. Logo passou a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas.
Com a morte do pai, em 1879, Aluísio volta para São Luís e se dedica a literatura. Publica seu primeiro romance, "Uma Lágrima de Mulher", em 1880, onde se mostra exageradamente sentimental e de estilo romântico. Em 1881 edita "O Mulato", romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. A obra denunciava o preconceito racial existente na burguesia maranhense Com a reação negativa da sociedade, Aluísio volta para o Rio de Janeiro.
Aluísio Azevedo abandonou as tendências românticas em que se formara, para, influenciado por Eça de Queirós e Émile Zola, tornar-se o precursor do Movimento Realista-Naturalista. No Rio de Janeiro, passou a viver com a publicação de folhetins românticos a alguns relatos naturalistas. Viveu durante 15 anos do que ganhava como escritor.
Preocupado com a realidade cotidiana, seus tema prediletos foram a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios e o povo humilde. Na obra "O Cortiço", Aluísio retrata o aumento da população no Rio de Janeiro e o aparecimento de núcleos habitacionais, denominados cortiços, onde se aglomeravam trabalhadores e gente de atividades incertas. O grande personagem do romance é o próprio cortiço.
Em 1895, com quase quarenta anos, Aluísio ingressa na carreira diplomática, atuando como cônsul do Brasil no Japão, na Espanha, Inglaterra, Itália, Uruguai, Paraguai e Argentina. Durante todo esse período não mais se dedicou a produção literária.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo morreu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de Janeiro de 1913.

Obras de Aluísio Azevedo

Uma Lágrima de Mulher, romance, 1879
Os Doidos, teatro, 1879
O Mulato, romance, 1881
Memórias de um Condenado, romance, 1882
Mistérios da Tijuca, romance, 1882
A Flor de Lis, teatro, 1882
A Casa de Orates, teatro, 1882
Casa de Pensão, romance, 1884
Filomena Borges, romance, 1884
O Coruja, romance, 1885
Venenos que Curam, teatro, 1886
O Caboclo, teatro, 1886
O Homem, romance, 1887
O Cortiço, romance, 1890
A República, teatro, 1890
Um Caso de Adultério, teatro, 1891
Em Flagrante, teatro, 1891
Demônios, contos, 1893
A Mortalha de Alzira, romance, 1894
O Livro de uma Sogra, romance, 1895
Pegadas, contos, 1897
O Touro Negro, teatro, 1898