sábado, 8 de junho de 2013

Eu não existo sem você

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes

FERNANDO PESSOA E SEUS HETERÔNIMOS

                       
É de suma importância relembrarmos primeiramente sobre o Modernismo em Portugal antes de começarmos a falar deste grandioso poeta.

Como toda estética literária advém de um contexto histórico e político, o Modernismo português surgiu sob um clima de grande instabilidade interna, com greves sucessivas, aliado às dificuldades trazidas pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.

O assassinato do rei Carlos X, em 1908 foi o ponto de partida para a proclamação da República. Com isso, surgiu a necessidade de defender as colônias ultramarinas, razão pela qual o povo português manifestou todo o seu saudosismo de maneira acentuada.

A lembrança das antigas glórias marítimas e a lamentação pelo desconcerto que dominou o país após o desaparecimento de Dom Sebastião serviram de berço para o nascimento de uma revista que representaria o Modernismo propriamente dito, a revista “Orpheu”, publicada em 1915.

Fazendo parte dela estavam presentes figuras artísticas importantíssimas, tais como:
Mário de Sá-Carneiro, Luís Montalvor, José de Almada-Negreiros e Fernando Pessoa.

Seu conteúdo baseava-se no questionamento dos valores estabelecidos estética e literariamente, na euforia frente às invenções oriundas da Revolução Industrial e na libertação de todas as regras e convenções referentes à produção artística da época.

Os ecos Futuristas na valorização da máquina e da velocidade aparecem já no primeiro número dos versos do poema “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta em estudo.

Dando enfoque principal a Fernando Pessoa, o mesmo nasceu no dia 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa. Levou uma vida anônima e solitária e morreu em 1935, vítima de uma cirrose hepática.

Quando falamos deste genioso artista, é necessário fazermos uma distinção entre todos os poemas que assinou com o seu verdadeiro nome - poesia ortônima e todos os outros, atribuídos a diferentes heterônimos, dentre os quais destacam-se Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

A questão da heteronímia resulta de características pessoais referentes à personalidade de Fernando Pessoa: o desdobramento do “eu”, a multiplicação de identidades e a sinceridade do fingimento, uma condição que patenteou sua criação literária e que deu origem ao poema AUTOPSICOGRAFIA.

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Pessoa, Fernando. Lírica e dramática, In: Obras de Fernando Pessoa
Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.
Alberto Caeiro

Carlos Drummond de Andrade


É,assim se segue a vida
E de tudo fica um pouco,
Fica um pouco do sabor,do desejo,da lembrança,da lágrima
Se fica um pouco daquilo que um dia fora a vida,
Ainda que num lampejo...

Se segue a vida e ainda fica,
fica um pouco das lembranças de outrora
Nem sempre lembranças como algo bom a se recordar
Porém como eu um conjunto se fica
Ambas se completam,uma para com a outra
E assim se segue a vida
O que seria lembrar das lágrimas,caso não houvesse o sorriso
Aquele que um dia fora o consolo para o então chorar
O que seria de um belo dia de sol,caso não houvesse
Um dia frio,obscuro e tempestuoso a se recordar

É,assim se segue a vida
E de tudo teu fica um pouco,assim como meu em ti
Ficara um pouco do desejo,do beijo que não pude dar
A lágrima que não chorei,o sonho de um dia amar
Ficara um pouco,um pouco de magoa,de indiferença,de saudade
Talvez um dia possa ser trocada
Por um pouco de vida,de poema,de sorriso
E assim se segue a vida
Onde se perde as flores
Mas ainda se tenta,com muito esforço
Se levar o cheiro das rosas...

quarta-feira, 5 de junho de 2013