sábado, 14 de dezembro de 2013

Ser feliz

Antes, achava-me diferente, anormal, porque, diferente de outras meninas, preferia chocolate à salada;
Pizza a legumes; Leitura à balada. Isso me deixava com um enorme complexo de inferioridade, achava que os meninos não olhavam para meninas que comiam chocolate, porque meninas que comem chocolate têm espinhas, são gordinhas, mas, apesar do complexo, eu não estava nem aí. Eu só queria ser feliz.
          Não tenho e nunca tive pretensões de ser linda, desejada, amada por alguém. Não preciso que me queiram para que eu esteja bem, só preciso estar feliz comigo e eu sou. Mesmo sem acompanhar os padrões da moda, mesmo sendo gordinha e bem longe do que, hoje, é tido com beleza pela maioria esmagadora das pessoas e dos que se dizem especialistas no assunto. Não tenho culpa de achar mais prazeroso e produtivo fazer uma boa leitura a passar horas em uma academia tentando ficar ‘gostosa’ aos olhos daqueles que só se preocupam com as embalagens, que não ligam se a namorada confunde o autor Victor Hugo com a marca famosa Victor Hugo.     
        Mulheres, os homens só precisam das ‘gostosas’ para saciá-los, mas o que eles gostam mesmo é de uma mulher com conteúdo, que goste de chocolate, que seja bem-humorada, independente, segura, sincera. Homem odeia mulher burra, interesseira, vulgar, pegajosa, mal resolvida. Então, ir para uma boa academia e botar alguns ‘litros’ de silicone não irão ajudar se você quer um homem de verdade. Visite uma biblioteca de vez em quando e substitua a compra de sapatos e bolsas por livros. Ah, e leia-os!

Priscilla Katiúscia



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Longe do meu lado


Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom, mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado
A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado.
Legião Urbana

Extraído de "O mundo de Sofia".

Somos um planeta vivo, Sofia! Somos um grande barco navegando ao redor de um sol incandescente no universo. Mas cada um de nós é um barco em si mesmo, um barco carregado de genes navegando pela vida. Se conseguirmos levar esta carga ao porto mais próximo, nossa vida não terá sido em vão." 
Jostein Gaarder
Não se pode experimentar a sensação de existir sem se experimentar a certeza que se tem de morrer(...). É igualmente impossível pensar que se tem de morrer sem pensar ao mesmo tempo em como a vida é fantástica."
Jostein Gaarder

Este inferno de amar

Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembro: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

  Almeida Garrett

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Soneto Proibido

De tudo farei pro esse sentimento transversal
Para não vê-lo sucumbir no meu peito
E a minha alma partir como um cristal
Quero vivê-lo, senti-lo e não terá jeito.

Ele chegou e me fez esquecer o que é proibido
Conseguiu arrancar de mim toda a angústia
Deixou meu coração totalmente desinibido
Só espero receber dos deuses a anistia.

Depois dele as minhas tardes são de emoção
Os desejos da carne estão a todo vapor
Ele pôs em festa todo o meu coração.

Só preciso estar perto deste homem
O meu garoto sincero e romântico
Que sem saber, sem sentir já me tem.


  Priscilla katiúscia

Blog do Freire (NOTÍVAGO-INSONE-PENSANTE): Poesia em Prosa: A Garota e o Tempo

Blog do Freire (NOTÍVAGO-INSONE-PENSANTE): Poesia em Prosa: A Garota e o Tempo: Os sentimentos  de tempo  precisam Precisam de tempo para acontecer? Porque os sentimentos não nos avisam Chegam assim, sem ama...

O "Adeus" de Teresa

O "Adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

Castro Alves                                   

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Canto de regresso à pátria



Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo


Oswald de Andrade

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ser poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Soneto de infância

Ainda lembro das noites movimentadas na minha rua
Das inúmeras e não tão inocentes brincadeiras
Essas lembranças animam minha vida ainda crua
A cada instante passa um turbilhão de memórias.

Os gritos, as carreiras, as brigas, os amigos
Minha infância não teria valido a pena
Sem sentir a força do vento nos cabelos
O medo do cipó perpassando a perna.

Era o cipó da pobre goiabeira que sofria
Todo dia um era tirado para as ameças
E a profecia geralmente se cumpria.

Mas ainda assim éramos felizes
Hoje não vejo as crianças correndo
Estão em seu mundo brincando de reis.



domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo

                                                                   
Nunca fui fã desse tal de domingo
sempre preferir a bela e forte segunda-feira
Nela eu fico livre como um flamingo
As ideias emergem e não fico de bobeira.


Meu Avohai

                                           
Acredito piamente no velho ditado que diz que pai é quem cria
Se ser pai é cuidar, educar, dar amor, carinho e apoia
Então, eu posso dizer que tive um grande pai
A vida me deu de presente um avô que se fez de avohai.

Meu avohai, meu pai-avô ou avô-pai, como queiram
Uma vida dedicada a cuidar dos netos que ganhara
Quando eu estava feliz, ele ficava radiante
Sua luta para cuidar da família era constante.

Mas Deus precisou levar de mim a minha fortaleza
E me deixou à deriva como um barco sem leme
Perdi, de forma abrupta, o amor e a leveza
Que tive todos os dias da minha vida ainda íngreme.

Pk Dutra

Quero um amor

                                                   
Cansei de tudo que me tira a paz e o sossego da alma
Agora só quero por perto quem me tira sorrisos e me acalma
Não quero dinheiro, mansão, apólices, carros...
Só quero um amor para chamar de meu.

Preciso com urgência de um motivo para ser feliz
De um homem de verdade e não um aprendiz
Um deus-menino para pôr em festa meu coração
Um amor para estar comigo a cada estação.

  Pk Dutra

sábado, 7 de dezembro de 2013

Aluísio Azevedo


Aluísio Azevedo (1857-1913) foi escritor brasileiro. "O Mulato" foi o romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. Foi também caricaturista, jornalista e diplomata. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Aluísio Azevedo (1857-1913) nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 14 de abril de 1857. Levado pelo irmão, o teatrólogo e jornalista Artur Azevedo, viajou para o Rio de Janeiro aos 17 anos de idade. Começou a estudar na Academia Imperial de Belas-Artes, onde revelou seus dons para o desenho. Logo passou a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas.
Com a morte do pai, em 1879, Aluísio volta para São Luís e se dedica a literatura. Publica seu primeiro romance, "Uma Lágrima de Mulher", em 1880, onde se mostra exageradamente sentimental e de estilo romântico. Em 1881 edita "O Mulato", romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. A obra denunciava o preconceito racial existente na burguesia maranhense Com a reação negativa da sociedade, Aluísio volta para o Rio de Janeiro.
Aluísio Azevedo abandonou as tendências românticas em que se formara, para, influenciado por Eça de Queirós e Émile Zola, tornar-se o precursor do Movimento Realista-Naturalista. No Rio de Janeiro, passou a viver com a publicação de folhetins românticos a alguns relatos naturalistas. Viveu durante 15 anos do que ganhava como escritor.
Preocupado com a realidade cotidiana, seus tema prediletos foram a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios e o povo humilde. Na obra "O Cortiço", Aluísio retrata o aumento da população no Rio de Janeiro e o aparecimento de núcleos habitacionais, denominados cortiços, onde se aglomeravam trabalhadores e gente de atividades incertas. O grande personagem do romance é o próprio cortiço.
Em 1895, com quase quarenta anos, Aluísio ingressa na carreira diplomática, atuando como cônsul do Brasil no Japão, na Espanha, Inglaterra, Itália, Uruguai, Paraguai e Argentina. Durante todo esse período não mais se dedicou a produção literária.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo morreu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de Janeiro de 1913.

Obras de Aluísio Azevedo

Uma Lágrima de Mulher, romance, 1879
Os Doidos, teatro, 1879
O Mulato, romance, 1881
Memórias de um Condenado, romance, 1882
Mistérios da Tijuca, romance, 1882
A Flor de Lis, teatro, 1882
A Casa de Orates, teatro, 1882
Casa de Pensão, romance, 1884
Filomena Borges, romance, 1884
O Coruja, romance, 1885
Venenos que Curam, teatro, 1886
O Caboclo, teatro, 1886
O Homem, romance, 1887
O Cortiço, romance, 1890
A República, teatro, 1890
Um Caso de Adultério, teatro, 1891
Em Flagrante, teatro, 1891
Demônios, contos, 1893
A Mortalha de Alzira, romance, 1894
O Livro de uma Sogra, romance, 1895
Pegadas, contos, 1897
O Touro Negro, teatro, 1898

domingo, 16 de junho de 2013

"E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado."
Tati Bernardi
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

sábado, 8 de junho de 2013

Poema de trás prá frente e vice versa- Cecilia Meirelles




Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Desejo a vocês...


Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
(Carlos Drummond de Andrade)


"Gentem", feliz dia dos namorados! (Antecipado) hehehe

Eu não existo sem você

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes

FERNANDO PESSOA E SEUS HETERÔNIMOS

                       
É de suma importância relembrarmos primeiramente sobre o Modernismo em Portugal antes de começarmos a falar deste grandioso poeta.

Como toda estética literária advém de um contexto histórico e político, o Modernismo português surgiu sob um clima de grande instabilidade interna, com greves sucessivas, aliado às dificuldades trazidas pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.

O assassinato do rei Carlos X, em 1908 foi o ponto de partida para a proclamação da República. Com isso, surgiu a necessidade de defender as colônias ultramarinas, razão pela qual o povo português manifestou todo o seu saudosismo de maneira acentuada.

A lembrança das antigas glórias marítimas e a lamentação pelo desconcerto que dominou o país após o desaparecimento de Dom Sebastião serviram de berço para o nascimento de uma revista que representaria o Modernismo propriamente dito, a revista “Orpheu”, publicada em 1915.

Fazendo parte dela estavam presentes figuras artísticas importantíssimas, tais como:
Mário de Sá-Carneiro, Luís Montalvor, José de Almada-Negreiros e Fernando Pessoa.

Seu conteúdo baseava-se no questionamento dos valores estabelecidos estética e literariamente, na euforia frente às invenções oriundas da Revolução Industrial e na libertação de todas as regras e convenções referentes à produção artística da época.

Os ecos Futuristas na valorização da máquina e da velocidade aparecem já no primeiro número dos versos do poema “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta em estudo.

Dando enfoque principal a Fernando Pessoa, o mesmo nasceu no dia 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa. Levou uma vida anônima e solitária e morreu em 1935, vítima de uma cirrose hepática.

Quando falamos deste genioso artista, é necessário fazermos uma distinção entre todos os poemas que assinou com o seu verdadeiro nome - poesia ortônima e todos os outros, atribuídos a diferentes heterônimos, dentre os quais destacam-se Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

A questão da heteronímia resulta de características pessoais referentes à personalidade de Fernando Pessoa: o desdobramento do “eu”, a multiplicação de identidades e a sinceridade do fingimento, uma condição que patenteou sua criação literária e que deu origem ao poema AUTOPSICOGRAFIA.

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Pessoa, Fernando. Lírica e dramática, In: Obras de Fernando Pessoa
Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.
Alberto Caeiro

Carlos Drummond de Andrade


É,assim se segue a vida
E de tudo fica um pouco,
Fica um pouco do sabor,do desejo,da lembrança,da lágrima
Se fica um pouco daquilo que um dia fora a vida,
Ainda que num lampejo...

Se segue a vida e ainda fica,
fica um pouco das lembranças de outrora
Nem sempre lembranças como algo bom a se recordar
Porém como eu um conjunto se fica
Ambas se completam,uma para com a outra
E assim se segue a vida
O que seria lembrar das lágrimas,caso não houvesse o sorriso
Aquele que um dia fora o consolo para o então chorar
O que seria de um belo dia de sol,caso não houvesse
Um dia frio,obscuro e tempestuoso a se recordar

É,assim se segue a vida
E de tudo teu fica um pouco,assim como meu em ti
Ficara um pouco do desejo,do beijo que não pude dar
A lágrima que não chorei,o sonho de um dia amar
Ficara um pouco,um pouco de magoa,de indiferença,de saudade
Talvez um dia possa ser trocada
Por um pouco de vida,de poema,de sorriso
E assim se segue a vida
Onde se perde as flores
Mas ainda se tenta,com muito esforço
Se levar o cheiro das rosas...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

"Enquanto houver comparsas do sistema o mundo será sempre um dilema. O amor ao próximo nunca terá seu reino e individualidade medíocre virá sempre na frente." EU*

domingo, 19 de maio de 2013

Hoje eu acordei com vontade de ser eu mesma; De esquecer as regras que aprendi; De fazer de conta que ainda não amadureci(será que amadureci?); De fazer coisas erradas e rir de mim. Hoje eu quero um amor igual ao meu; Um amor que me tire o fôlego; Um amor que me aceite como eu sou; Um amor que me acalme a alma e aqueça o corpo.

domingo, 12 de maio de 2013

Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís de Camões

sexta-feira, 10 de maio de 2013

São duas flores unidas São duas rosas nascidas Talvez do mesmo arrebol, Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol. Unidas, bem como as penas das duas asas pequenas De um passarinho do céu... Como um casal de rolinhas, Como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo véu. Unidas, bem como os prantos, Que em parelha descem tantos Das profundezas do olhar... Como o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do mar. Unidas... Ai quem pudera Numa eterna primavera Viver, qual vive esta flor. Juntar as rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do amor! As duas flores Castro Alves
“Quem passou pela vida em branca nuvem E em plácido repouso adormeceu; Quem não sentiu o frio da desgraca, Quem passou pela vida e não sofreu; Foi espectro de homem, não foi homem, Só passou pela vida, não viveu.” Ilusões da Vida, Francisco Otaviano
Expressionismo Têmpera s/ prancha, 83,5x66 cm. Munch Museum, Oslo, 1893. O Expressionismo é o movimento artístico e literário que se caracteriza pela expressão de intensas emoções. As obras não têm preocupação com a beleza tradicional e exibem um enfoque pessimista da vida, marcado pela angústia, pela dor, pela inadequação do artista diante da realidade e muitas vezes pela necessidade de denunciar problemas sociais. Iniciado no fim do século XIX por artistas plásticos da Alemanha, o movimento tem seu auge entre 1910 e 1920 e se expande para a literatura, música, teatro e cinema. Em função da 1ª Guerra Mundial ( 1914-1918 ) e das limitações provocadas pela língua alemã, tem maior expressão entre os povos germânico, eslavo e nórdico. No entanto, manifesta-se com ênfase também na França por meio do fauvismo. Nas artes plásticas propõe ruptura com o academismo e o impressionismo. É uma forma de “recriar” o mundo, em vez de simplesmente captá-lo ou moldá-lo de acordo com as leis da arte tradicional. As principais características são: distanciamento da pintura acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores fortes.
"A Persistência da Memória", Salvador Dalí (1931) Na literatura está presente a escrita automática e anticonvencional, o interesse por sonhos e mitos, o humor negro e metáforas surreais (onde realidade e sonhos se misturam). Na literatura brasileira, o livro MACUNAÍMA, de Mário de Andrade, talvez seja o melhor exemplo. Escrito em apenas seis dias, com uma narrativa quase automática, reelabora temas de mitologia indígena e visões folclóricas. Nesse romance encontram-se dadaísmo, futurismo, expressionismo e surrealismo aplicados às raízes da cultura brasileira. Leia um trecho: “Nesse momento um mulato da maior mulataria trepou numa estátua e principiou um discurso entusiasmado explicando pra Macunaíma o que era o dia do Cruzeiro. No céu escampado da noite não tinha uma nuvem nem Capei. A gente enxergava os conhecidos, os pais-das-árvores os pais-das-aves os pais-das-caças e os parentes manos pais mães tias cunhadas cunhãs cunhatãs, todas essas estrelas piscapiscando bem felizes nessa terra sem mal, adonde havia muita saúde e pouca saúva, o firmamento lá.”
Vanguardas Europeias: Surrealismo O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que surgiu na França, com poeta André Breton, na década de 1920. Influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa; defende que a arte deve libertar-se das exigências da lógica e expressar o inconsciente e os sonhos; e rejeita os valores burgueses, como a pátria e a família. Expressa o interior humano. Na arte, o catalão Salvador Dali (1904-1989) é um dos principais artistas do movimento surrealista.
Dadaísmo: uma vanguarda européia que marcou a história mundial Hosted by Putfile.com O dadaísmo foi um movimento artístico muito importante para todo o mundo, e principalmente para a Europa. Nascido em 1916, na cidade de Zurique (Suíça), por iniciativa de um grupo de artistas que desacreditavam na sociedade que consideravam responsável pelos estragos da Primeira Guerra Mundial. Esse grupo decidiu romper com todos os valores e princípios pregados na época, inclusive os artísticos. Para se ter uma ideias, a própria palavra dadá, não possue outro significado senão a própria falta dele. O que caracteriza muito bem esse movimento: nenhum significado a não ser a negação de tudo que era imposto pela sociedade e tradições. O Café Voltaire, foco principal da difusão dessa corrente artística, foi fundado pelo poeta Hugo Ball e Tristan Tzara, e pelos artistas Hans Arp e Marcel Janco. Desta forma, o dadaísmo ficou conhecido rapidamente por toda a Europa, pois eles tinham atuações provocativas e publicavam manifestos proliferando suas ideias. Os artistas Marcel Duchamp e Francis Picabia foram um dos adeptos do movimento. Com todas essas ideias de negação e pregação de uma outra percepção de arte e até mesmo de sociedade, os dadaístas não romperam somente com as formas da arte, mas também com o conceito da própria arte. Dentro do movimento dadaísta, não se questionava apenas os princípios estéticos, como no expressionismo ou cubismo, mas o próprio núcleo da questão artística, negando toda a autoridade crítica ou acadêmica. Assim, eles consideravam válida qualquer expressão humana, inclusive a involuntária, elevando-a à categoria de obra de arte. O Dadaísmo, com toda sua essência preparou o terreno para outros movimentos vanguardistas tão importantes como o surrealismo e a pop art.
Vanguardas Europeias: Futurismo O movimento cultuava a vida moderna, a máquina, a velocidade. Reivindicava uma ruptura com o passado, buscando novas formas, assuntos e estilos, que melhor representasem a modernidade. Surgiu, oficialmente, em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. O lema do manifesto futurista era "palavras em liberdade". Na literatura, empregou-se a destruição da sintaxe; a abolição da pontuação, esta seria substituída pelos sinais da matemática ou da música; o uso de onomatopeias e de estruturas que incorporassem o som das máquinas à linguagem; e pretendiam abolir o uso dos advérbios e adjetivos. Influências do Futurismo no Brasil: Ode ao burguês, de Mário de Andrade Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! o homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns mil-réis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os "Printemps" com as unhas! Eu insulto o burguês-funesto! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições! Fora os que algarismam os amanhãs! Olha a vida dos nossos setembros! Fará Sol? Choverá? Arlequinal! Mas à chuva dos rosais o èxtase fará sempre Sol! Morte à gordura! Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal! ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi! Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano! "–Ai, filha, que te darei pelos teus anos? –Um colar... –Conto e quinhentos!!! Mas nós morremos de fome!" Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma! Oh! purée de batatas morais! Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! Ódio aos temperamentos regulares! Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados! Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos, sempiternamente as mesmices convencionais! De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burgês!... Outra influência futurista no Brasil é o romance"João Ternura", de Aníbal Machado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem por que ama, nem o que é amar... (Alberto Caeiro)
E eu, que por tantas vezes pedi um amor igual ao meu, não ganhei; E eu, que por tantas vezes quis ser dona dos meu pensamentos, não sou; E eu, que por tantas vezes quis rir, só chorei; E a vida? O que fez por mim? E eu, o que fiz por mim? Me fiz de triste para me fazer de forte; Me fiz de brava para vencer as dificuldades; Mas lutei; Venci; Amei; Sorrir; Dancei; Fui EU. (Renata)
Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores. (Luis Fernando Veríssimo)
"Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia construirei um castelo!" (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão..." (Clarice Lispector)
De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa lhe dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam… Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar. O Menestrel de William Shakespeare

domingo, 5 de maio de 2013

Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama! (Shakespeare)
Literatura é a arte de compor escritos artísticos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos, o exercício dessa arte ou da eloquência e poesia.1 A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", e possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também é usado como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo, a literatura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, literatura japonesa etc. Fonte:Wikipédia
"Os poetas nascem do acaso e sobrevivem do eu". Priscilla Katiúscia
"A primeira glória é a reparação dos erros. As ocasiões fazem as revoluções. O amor é o rei dos moços e o tirano dos velhos. O amor é o egoísmo duplicado. Não se perde nada em parecer mau - ganha-se tanto como em sê-lo. Também a dor tem suas hipocrisias. O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão. Dormir é um modo interino de morrer. O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto. Matamos o tempo - o tempo nos enterra. Amor repelido é amor multiplicado. De todas as coisas humanas, a única que tem o fim em si mesma é a arte. O destino, como os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Não se ama duas vezes a mesma mulher. A vaidade é um princípio de corrupção. Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular. Suporta-se com muita paciência a dor no fígado alheio. A fortuna troca, ás vezes, os cálculos da natureza." Machado de Assis

SONETO


"Não chame o meu amor de Idolatria Nem de Ídolo realce a quem eu amo, Pois todo o meu cantar a um só se alia, E de uma só maneira eu o proclamo. É hoje e sempre o meu amor galante, Inalterável, em grande excelência; Por isso a minha rima é tão constante A uma só coisa e exclui a diferença. 'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo; 'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento; E em tal mudança está tudo o que primo, Em um, três temas, de amplo movimento. 'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora; Num mesmo ser vivem juntos agora."

 William Shakespeare

sábado, 4 de maio de 2013