terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Esperando Por Mim

Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Quem escreve quer ser lido



Não se escreve uma carta para engavetá-la ou para esperar que o tempo, com sua implacável fome de destruição, desbote-a; Um bilhete, um aviso, um anúncio, são para que alguém leia. Nada é escrito ao vento! O poeta faz seus poemas na esperança de que um dia alguém apreciará suas rimas, suas linhas feitas com muito amor e dedicação, carregadas de desejos e vontades que escorrem da alma até à ponta dos dedos, onde encontram a caneta e aí sim, está pronta para ser lida a sua essência.
O jornalista com seu olho clínico, de quem observa tudo minuciosamente, escreve o que vê com o empenho de quem faz uma redação em um concurso, esperando a nota máxima, nesse caso, o jornalista espera que seja lido, que de alguma forma sua história seja contada adiante e que sirva como lição, entretenimento somente ou que vire uma notícia comentada. É assim a vida de quem escreve, esperar ser lido.  O professor que usa o quadro para escrever suas aulas, espera que, no mínimo, seus alunos leiam o que foi escrito antes de transcrever para o caderno; Suas anotações, suas observações, sua broncas escritas no caderno, espera-se que sejam lidas um dia, quem sabe.
Um escritor sonha com a publicação de seu livro, na esperança de que ele habite os lares de quem aprecia uma boa história e valoriza tão nobre profissão; escrever é isso, ansiar, mais que tudo, por leitores, por amantes da poesia, da crônica, das histórias, da política, da notícia. Tudo que é escrito, precisa ser lido, ainda que as interpretações sejam as mais diversas possíveis, e são, ser lido é gratificante.
                         
                PRISCILLA KATIÚSCIA GOMES DUTRA

sábado, 29 de novembro de 2014

Se eu morrer antes de você

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser,
mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser
chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver
vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu
respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija
o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer
um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas
estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um
demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que
a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que
de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser
falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o
suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver
vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
„Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!‟ Aí,
então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la,
mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me
bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez
em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá,
mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a
sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos
viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
acredita nessas coisas? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos
como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem
soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto
da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou
estranhar o céu... Sabe por quê? Por que... Ser seu amigo já é um

pedaço dele!  (Vinicius de Moraes)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Critérios para gostar

Gosto de gente que não precisa fingir ser o que não é;

De gente que se importa com quem é de verdade, não com quem tem;

Gosto de quem gosta das pessoas sem esperar nada, além de afeto;

De gente que trabalha para conseguir o que quer;

Gosto de gente que protege quem não tem forças para se proteger;

Gosto de quem fica feliz com a felicidade do próximo;

De gente que compreende a dor do outro e se entristece com isso;

Gosto de gente que não julga a decisão do amigo, vizinho, colega;

Gosto de quem afaga um gato, dá bom dia a um cão e alimenta o amor;

De gente que não espalha ódio, ingratidão, fofoca, intrigas;

Gosto de gente que sabe da sua importância para os seus;

Gosto de quem ama sem pedir nada em troca;

De gente que entende a tua forma de amar;

Gosto de gente que respeita de forma igualitária os reis e os plebeus;

Gosto de quem compreende que ninguém é igual, e que são as diferenças que nos aproximam.
                                    
                                               Priscilla Katiúscia Gomes Dutra Moreno

O vento

Posso ouvir o vento passar 
assistir à onda bater 
mas o estrago que faz 
a vida é curta pra ver... 
Eu pensei 
que quando eu morrer 
vou acordar para o tempo 
e para o tempo parar. 
Um século, um mês, 
três vidas e mais 
um passo pra trás? 
Por que será? 
...vou pensar. 

- Como pode alguém sonhar 
o que é impossível saber? 
- Não te dizer o que eu penso 
já é pensar em dizer 
e isso, eu vi, 
o vento leva! 
- Não sei mas 
sinto que é como sonhar 
que o esforço pra lembrar 
é a vontade de esquecer... 
e isso por que? 
Diz mais! 
Uh, se a gente já não sabe mais 
rir um do outro meu bem então 
o que resta é chorar e talvez, 
se tem que durar, 
vem renascido o amor 
bento de lágrimas. 
Um século, três, 
se as vidas atrás 
são parte de nós. 
E como será? 
O vento vai dizer 
lento o que virá 
e se chover demais 
a gente vai saber, 
claro de um trovão, 
se alguém depois 
sorrir em paz. 
Só de encontrar... ah!... (Los Hermanos)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Amor que não se mede

                      Irmão é aquela pessoa criada da mesma forma que você, é se acostumar com um estranho que chega sem pedir para chegar e tira todas as suas vantagens, rouba seu colo, tira a atenção que, até então, era só sua, te irrita a toda hora por qualquer coisa, chora por tudo, mas mesmo assim você ama de forma incondicional. Ter um irmão é como ter um amigo filho da mesma mãe e, às vezes, do mesmo pai, é ter um amigo que mora na mesma casa, que almoça junto, que compartilha alegrias e tristezas, é saber que você tem alguém que vai te proteger quando você precisar de proteção,  também vai te encher de tapas se fizer besteira, mas se alguém te bate, ele fica bravo.
                      Ter irmão é a arte de fazer um laço, pois o nó entre as pontas de uma mesma fita permanecerá atado para sempre, contudo cada um é capaz de enfeitá-lo à sua maneira. É dessa forma que se constrói uma linda e verdadeira amizade, baseada em troca de segredos, em confiança, cumplicidade e muito, muito amor e dedicação. É saber que você sempre terá alguém com quem poderá contar até o fim, alguém que você vai dizer “não fala mais comigo” e minutos depois estão rindo e brincando juntos.
                     Ser irmão é uma ligação que vai muito além de ter o mesmo sobrenome e ser sangue do mesmo sangue, um irmão é a sua escola para a vida, é saber conviver num mesmo espaço com um completo desconhecido e mesmo assim amá-lo, não pelo fato de serem irmãos, mas pelo fato de compartilharem as mesmas “joias” e amá-las da mesma forma. Com os irmãos, você aprende a amar as pessoas como elas são, porque eles são assim, te amam do jeito que você é, com suas manias, seus defeitos. Com os irmãos você aprende a ter compaixão pelo próximo, aprende a sentir dor com o fracasso do outro e aprende a ficar alegre com as conquistas um do outro. Amo vocês, Irmãos‼
                                                   
                                             Priscilla Katiúscia Gomes Dutra Moreno




sábado, 26 de abril de 2014

Retalhos (Os "legionários"entenderão)

Quase sem querer me apaixonei por ti, meu rei
Sem saber o quão doloroso é estar apaixonada
Fui dominada por uma força sobre-humana
E levada ao fundo da minha alma onde me encontrei.

É estranho me encontrar sem te encontrar também
Viver um sentimento tão grande sem te ter
Longe do meu lado vais sempre permanecer
E eu a amar-te continuarei por anos a fio.

Sou como os barcos precisando de um vento
Um vento no litoral para ter perfeição
A perfeição que tu procuras nas mulheres
Quero ser teu leme, a direção que tu queres.

Às vezes me sinto como um faroeste caboclo
Perdida em um tiroteio, sem achar a saída
Queria te encontrar lá, esperando por mim
Na saída, para vivermos nossa comédia romântica.

Só por hoje quero esquecer que estás longe
E acreditar que teremos um dia perfeito todo dia
Que o teu amor será a fonte onde saciarei a sede
Minha sede do teu corpo, do teu beijo, da tua poesia.


                       Priscilla Katiúscia Gomes Dutra Moreno

terça-feira, 22 de abril de 2014

Você e Eu


Eu perco o controle por sua causa, meu bem
Eu perco o controle quando você me olha deste jeito
Há algo em seus olhos que está dizendo que esta noite
Eu não sou mais uma criança e a vida abriu a porta
Para uma nova e incrível vida

Eu perco o controle quando estou perto de você, meu bem.
Eu perco o controle não me olhe deste jeito
Há algo em seus olhos, isso é amor à primeira vista?
Como uma flor que cresce, a vida só quer que você saiba
Todos os seus segredos

Está tudo escrito nas linhas de sua vida
Está tudo escrito dentro do seu coração

Você e eu temos apenas um sonho
Para encontrar para o nosso amor, um lugar onde nós podemos nos esconder
Você e eu fomos feitos apenas
Para amar um ao outro agora, para sempre e um dia

Eu perco o controle por sua causa, meu bem
Eu perco o controle não me olhe deste jeito
Há algo em seus olhos que está dizendo que esta noite
Eu estou tão curioso para ter mais como nunca estive antes
Em minha vida inocente

Está escrito nas linhas de sua vida
Está escrito dentro do seu coração

Você e eu temos apenas um sonho
Para encontrar o nosso amor um lugar, onde nós podemos nos esconder
Você e eu fomos feitos apenas
Para amar um ao outro agora, para sempre e um dia

O tempo pára quando os dias de inocência
Estão caindo pela noite
Eu te amo menina, E sempre amarei
Eu juro, Estou aqui por você
Até o dia que eu morrer

Você e eu temos apenas um sonho
Para encontrar um lugar para o nosso amor, onde possamos nos esconder
Você e eu fomos feitos apenas
Para amar um ao outro agora, sempre e um dia.

                             Scorpions

sábado, 19 de abril de 2014

Meus Oito Anos

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Casimiro de Abreu

domingo, 13 de abril de 2014

Amigos

Às vezes, não temos a chance de escolhermos os amigos que queremos ter, assim como os amigos que temos, não nos escolheram, mas algo nos junta a essas pessoas que chamamos de amigos. A nossa trajetória com eles começa bem cedo, lá no jardim de infância quando sentamos próximos de alguém todos os dias, quando lanchamos juntos, quando nos encontramos um no outro, por alguma característica congênere.  E, assim vai seguindo a vida, em cada fase o nosso círculo de amizades vai aumentando e, quando vemos, já estamos cheios de pessoas ao nosso redor, mas, uma pena, poucos ficam. Durante a nossa vida estudantil, conseguimos aglomerar o maior número deles, nos apegamos àqueles que temos ideias e atitudes afins, os que sentam mais próximos a nós, os que compartilham dos mesmos objetivos. Mas, esses amigos, vão se perdendo quando a vida estudantil acaba e aí lá vamos nós, de novo, em busca de pessoas para cativarmos.
                          Há pessoas que não conhecemos na vizinhança, que não conhecemos na escola, nem no trabalho, lugares mais prováveis de se conhecer alguém, mas, ainda assim, nos encontram. Essas pessoas aparecem nas nossas vidas por intermédio de alguém ou por alguma circunstância imposta pela vida, mas acabam ficando e nos cativando de maneira tão repentina que temos a impressão de que elas estiveram ali a vida toda. Há aqueles amigos que te fazem pensar: “o que seria de mim sem ele”? Estes se tornam indispensáveis, pois além de amigos, viram psicólogos, cupidos, família, tudo. Eu tenho amigos assim! Queira estar perto dos amigos leais, fieis a ti, daqueles que já provaram que, de fato, são amigos. E, acredite, não é difícil perceber, no fim das contas, quem é de verdade e quem é de mentira. Amigos de verdade não te fazem sofrer, não te fazem chorar, não se afastam de ti por nada e não dizem “nunca fomos tão amigos”. AMIGOS riem com você, são solidários com a sua dor, ficam felizes com a sua vitória, torcem a seu favor.
                        Valorize aquele amigo que, podendo estar em qualquer lugar, escolheu estar do teu lado, aquele que, mesmo não podendo estar perto de ti, fisicamente, faz-se presente de outras formas, aquele que já te provou que nele tu podes confiar, aquele que mesmo tu não tendo nada, além da tua amizade, para oferecer-lhe, está ali do teu lado. Parafraseando Shakespeare, com o tempo aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

                                                 PRISCILLA DUTRA

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nós Somos Os Campeões

Eu paguei minhas dividas
Pouco a pouco
Eu completei minha sentença
Mas não cometi nenhum crime

E erros sérios
Cometi poucos
Eu tive meu pouco de areia
Atirada sobre a minha face
Mas eu sobrevivi

E nós pretendemos continuar e continuar e continuar

Nós somos os campeões - Meus amigos
E nós continuaremos lutando
Até o fim
Nós somos os campeões
Nós somos os campeões
Não tem vez pra perdedores
Pois nós somos os campeões do mundo

Eu tenho feito minhas reverências
E atendido as chamadas do palco
Vocês me trouxeram fama e fortuna
E tudo que vem com isso
Eu agradeço à todos vocês

Mas isto não tem sido nenhum mar de rosas
Nenhuma viagem de prazeres
Eu considero isso um desafio
Diante de toda a raça humana
E não irei fracassar

E nós pretendemos continuar e continuar e continuar

Nós somos os campeões - meus amigos
E nós continuaremos lutando
Até o fim
Nós somos os campeões
Nós somos os campeões
Não tem vez pra perdedores
Pois nós somos os campeões do mundo

Nós somos os campeões - meus amigos
E nós continuaremos lutando
Até o fim
Nós somos os campeões
Nós somos os campeões
Não tem vez pra perdedores
Pois nós somos os campeões
               Queen

terça-feira, 18 de março de 2014

Coisas que a existência na terra ensina

 -Podemos conhecer as melhores criaturas do mundo, mas elas nunca nos serão melhores que nossos pais e irmãos;

-Ainda que viajemos pelos mais belos e fantásticos lugares, a volta para casa ainda será a melhor coisa;

-Você só descobrirá o seu real valor para as pessoas quando não tiver nada a oferecer a elas;

-Há uma disparidade muito grande entre SER e ESTAR, mas poucas pessoas sabem disso;

-São as nossas escolhas e atitudes que vão nos permitir mostrar quem realmente somos e não a opinião das outras pessoas;

-Pessoas felizes não precisam de um letreiro escrito “eu sou feliz”;

-As pessoas mais inteligentes e bem-sucedidas são sempre as mais humildes;

-Os amigos verdadeiros sempre estarão a postos, em qualquer circunstância;

-Existe uma única pessoa responsável pelo seu sucesso ou fracasso: VOCÊ;

-As pessoas que acham que podem fazer tudo com o dinheiro, são as mesmas que estão dispostas a fazer tudo para tê-lo.

                                           
    PRISCILLA DUTRA




segunda-feira, 3 de março de 2014

Sugestões de leitura

O fim de 2013 traz as inevitáveis listas de livros. Num ano de ótima colheita para a Literatura Portuguesa, tivemos o prazer de descobrir Valério Romão («Autismo» e «O-Da-Joana», ambos da Abysmo), Raquel Ribeiro («Este Samba no Escuro» da Tinta-da-China), Carlos Campaniço e de ver Carla Maia de Almeida arriscar e ganhar num campo literário um pouco diferente do habitual. Presenciamos o aparecimento da revista Granta portuguesa (Tinta-da-China), com novos valores literários entre consagrados. Valter Hugo Mãe voltou ao seu melhor, Afonso Cruz deu-nos um livro magnífico, e Gonçalo M. Tavares ainda consegue acrescentar qualidade à sua Obra ímpar. E houve mais…

«10 sugestões de leitura»
Os critérios seguidos para a escolha desta lista são simples:
Escolhi 10 livros lidos (por mim) durante o ano de 2013. Depois, o critério optado foi o de só seleccionar livros sobre os quais escrevi. Como só escrevo sobre livros de que gosto, a tarefa ficou bem mais simplificada. O último filtro foi o de só escolher livros de ficção. E aqui foi bem mais difícil, pois obras como «Judeus Errantes» (Sistema Solar), de Joseph Roth, «Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer» (Quetzal), de David Foster Wallace e essa Obra Maior de Gonçalo M. Tavares intitulada «Atlas do Corpo e da Imaginação» (Caminho) tiveram de ser excluídas.

De entre os 10 escolhidos, há uma obra merecedora de todo o destaque: «Para Onde Vão os Guarda-Chuvas» (Alfaguara), de Afonso Cruz. É o Livro do Ano.
A responsabilidade da ausência, nesta lista, de autores como Thomas Mann, Soljenitsin e Hamsun deve-se a Afonso Cruz. A culpa é dele. A história de Fazal Elahi, Salim, Isa e Badini espalhou uma grande sombra sobre todas as outras histórias lidas. Inconscientemente, procurei estas personagens em «Contos» (Bertrand), do escritor alemão, em «A Casa de Matriona» (Porto Editora), do escritor russo, e em «Mistérios» (Cavalo de Ferro), do escritor norueguês. Não habitavam esses livros, claro. Tivessem estas obras sido lidas antes de «Para Onde Vão os Guarda-Chuvas», e talvez tivessem sido escolhidas.
Aqui ficam as sugestões.
Boas leituras!


«40 Histórias» (ANTÍGONA), de Donald Barthelme

Donald Barthelme (n.1931, Filadélfia), em «40 Histórias», explora o indefinível da literatura. O autor norte-americano, fundador do «Creative Writing Program» na Universidade de Houston, é considerado um dos escritores mais importantes do pós-modernismo. E ao iniciar-se a leitura de «40 Histórias» rapidamente se percebe a razão. A ousadia do autor na manipulação dos constituintes da narrativa breve, desde a estrutura ao recurso estilístico, é rara e consegue atingir a excelência. Barthelme parece fruir da decomposição do primado da estrutura. O autor contraria a viciada expectativa do leitor. Nos seus textos, ele surpreende-o com o imprevisível.

«A Desumanização» (PORTO EDITORA), de Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe (n. 1971; Saurimo, Angola) tem a coragem de se desnudar perante o leitor. As palavras são o espelho das suas emoções, das suas fundações psíquicas. O escritor põe o coração no texto. Em «A Desumanização, Halla, “a menos morta”, é uma menina islandesa cuja irmã gémea (Sigridur) faleceu muito nova. É pela sua voz que o leitor vai acompanhando a acção passada nos fiordes islandeses. Será ela a narrar, durante os dois a três anos após a morte da sua irmã, a decadência da família, as transformações do seu corpo, a ruptura com a infância, a luta pela individualidade, o desaparecimento da ingenuidade, e a dor, principalmente a dor causada pela perda. (…) Este livro mostra o autor no seu melhor. O leitor está perante uma das ficções mais intensas da obra ficcional de Valter Hugo Mãe.



«A Casa com Alpendre de Vidro Cego» (ARKHEION), de Herbjorg Wassmo

«Ela não sabia ao certo quando se apercebera daquilo: do perigo.» (pág. 5) E assim começam as aventuras e desventuras de Tora. A Trilogia de Tora inicia-se com «A Casa com Alpendre de Vidro Cego», da escritora norueguesa Herbjorg Wassmo (1942; Vesteralen, Noruega). A trilogia é continuada com «O Quarto Silencioso» (1983) e finalizada com «Céu Doloroso» (1986). Apesar de ser a primeira parte desta trilogia, «A Casa com Alpendre de Vidro Cego», traduzido por João Reis, tem qualidade suficiente para subsistir como criação literária independente dos consequentes livros. Herbjorg Wassmo consegue seduzir o leitor a conhecer o destino de Tora, uma complexa e bem construída personagem literária.

«A Luz é mais Antiga que o Amor» (ASSÍRIO & ALVIM), de Ricardo Menéndez Salmón
Ricardo Menéndez Salmón (n.1971, Gijon), autor de «A Ofensa», «Derrocada» e «O Revisor» (conhecida como a «Trilogia do Mal»), surpreende o leitor com uma obra que interroga as fronteiras dos géneros literários. «A luz é mais antiga que o amor» procura a simbiose entre o ensaio e a ficção. O autor dividiu o texto em duas situações ficcionadas e uma real. Em 1350, a Europa é dizimada pela Peste Negra. Beaufort, futuro Papa Gregório XI, obriga Adriano de Robertis a destruir a blasfema «Virgem Barbuda». Em 1970, Mark Rothko corta os pulsos. O seu suicídio é o culminar de dramáticos acontecimentos na sua vida pessoal. A sua obra, principalmente o domínio da ausência, a tentativa de capturar o vazio, através da inexistência de luz nas suas pinturas, é a revelação do interior do pintor. Em 2001, Vsévold Semiasin escreve uma carta explicando a sua loucura. O leitor está perante a ruptura com a normalidade. A homogeneização entre os textos é entregue à geografia (Sansepolcro), a uma obra de arte («Virgem Barbuda») e, principalmente, ao tema. O que mais importa salientar não é o binómio realidade/ficcionalidade. «A luz é mais antiga que o amor» é um texto especulativo, pois baseia-se na possibilidade. Umas situações são reais, outras são fictícias, mas todas são possíveis.



«Emigrantes» (CAVALO DE FERRO), de Ferreira de Castro

«Emigrantes» mantém, em 2013, a contemporaneidade e a pertinência temática, apesar da sua primeira publicação ter sido em 1928. (…)

A literatura não tem obrigação de lutar nem de salvar ninguém. A literatura não tem de estar vinculada a qualquer «– ismo». Não tem, mas pode. Ferreira de Castro (n. Oliveira de Azeméis; 1898-1974), escritor e jornalista, é considerado um dos precursores do neo-realismo. A sua produção literária é declaradamente combativa e«engagé». «Emigrantes» marca o início da edição de toda a obra ficcional de Ferreira de Castro, pela Editora Cavalo de Ferro. A ideologia subjacente à prosa de «Emigrantes» é motivo e assunto na construção do respectivo romance. O autor declara-os no Pórtico (prefácio): «O problema da emigração não é, porém, um problema-causa, mas consequência de outro mais vasto e mais profundo. Assim, sob a forma do primeiro, o nosso romance pretende dar a essência do segundo». Pág.10

«Homer & Langley» (PORTO EDITORA), de E. L. Doctorow
Homer e Langley, personagens do romance de E. L. Doctorow (n.1931, Bronx), são motivo de interesse desde há décadas devido às peculiaridades das suas existências (e desistências).
O autor norte-americano, vencedor do National Book Award com «World’s Fair», do PEN/Faulkner prize e do National Book Critics Circle Award com «Billy Bathgate» e «The March», ficcionou a extraordinária existência dos irmãos Collyer. A vida de Homer Lusk Collyer (n.1881) e a de Langley Wakeman Collyer (n.1885), irmãos criados numa família abastada, acompanharam importantes alterações sociais, económicas e políticas nos Estados Unidos da América na passagem do século XIX para o século XX. As suas vidas viriam a terminar de forma tão bizarra quanto foram vividas.


«Irmão Lobo» (PLANETA TANGERINA), de Carla Maia de Almeida 

A falência de uma família, sobrecarregada com dívidas e castigada pelo desemprego, é dramática. Quando a mesma família é composta por um filho adolescente, uma filha quase adolescente e uma menina ainda criança, além do pai e da mãe, então o dramatismo intensifica-se.
Carla Maia de Almeida (n. 1969, Matosinhos), no seu 6º livro, utiliza este cenário tão contemporâneo na construção de uma narrativa que incomoda e contraria o comodismo do leitor. Ao contrário do que se possa supor, «Irmão Lobo», editado pela Editora Planeta Tangerina, não é um livro infantil. «Irmão Lobo» é um livro sobre o amargo mundo dos adultos visto através da perspectiva fantasista e doce de uma criança. «Bolota», a filha mais nova, conta a lenta destruição da sua família, utilizando, para tal, dois tempos paralelos (passado próximo e passado mais distante) que virão, perto do fim do livro, a juntar-se. Os diferentes tempos são bem geridos pela autora, pois esta estratégia clarifica acções e intensifica os aspectos emocionais. Se tal não bastasse, a produção gráfica do livro denota o cuidado em ajudar o leitor na descodificação do enredo: páginas azuis para o passado mais recente; páginas brancas para o passado mais distante.



«Mais um Dia de Vida - Angola 1975» (TINTA-DA-CHINA), de Ryszard Kapuœciñski 

Ryszard Kapuœciñski (1932, Pinsk-2007, Varsóvia), escritor e jornalista polaco, testemunhou diversas revoluções e momentos decisivos da história contemporânea (queda dos impérios coloniais, por exemplo) de diversos países (Bolívia, Chile, Angola…). No entanto, a sua obra não se resume às reportagens de guerra; ele foi, também, um ficcionista. Kapuœciñski era um jornalista com imaginação de escritor. Foi com obras como «The Emperor: Downfall of an Autocrat», «Shah of Shahs», ou «Imperium» que se tornou célebre como jornalista e ficcionista. Uma das questões que uma obra como «mais um dia de vida - angola 1975» (Tinta-da-China) impõe é, precisamente, sobre a fronteira entre o facto e o fingimento.


«Os Demónios de Álvaro Cobra» (TEOREMA), de Carlos Campaniço

Carlos Campaniço (n. 1973, Moura) construiu um extraordinário universo literário, onde cintilam personagens memoráveis. «Os demónios de Álvaro Cobra», editado pela Teorema, é um livro que merece toda a atenção dos leitores e da crítica literária. Medinas, a fictícia aldeia alentejana onde habita a família Cobra, só tem uma porta de entrada e outra de saída. Nela se entra pela primeira página do livro, dela se sai pela última página. Não há mapa que a indique. Dentro dessa aldeia de pagãos, novos cristãos e judeus, o importante peso da igreja católica na moral é inferior à superstição, aos costumes e aos mitos ancestrais. Por lá passam um anarquista que ensina a escrever e a ler, uma prostituta, dona de um bordel, que deseja casar as suas «meninas» com os homens mais ricos, uma cadela que adivinha o tempo, um pássaro que canta, sem nunca errar, em sincronia com a hora exacta e grifos e mais grifos… Enquanto visita esse maravilhoso ambiente criado por Carlos Campaniço, o leitor vai conhecendo as estranhas peculiaridades de cada membro da família Cobra, principalmente de Álvaro.



«Para Onde Vão os Guarda-chuvas» (ALFAGUARA), de Afonso Cruz (LIVRO DO ANO)

Por vezes, somos deslumbrados por um livro que nos faz sentir pequenos. «Para onde vão os guarda-chuvas» (Alfaguara) é um dos mais belos livros que li nos últimos anos. Baseando-se num episódio passado com Gandhi, Afonso Cruz (1971; Figueira da Foz) recria uma história tão pura quanto isto: um muçulmano (Fazal Elahi) vê o seu filho (Salim) ser assassinado por soldados americanos. Ele não consegue suportar a dor pela perda do filho. Decide oferecer a sua fortuna (fábrica de tapetes) a quem o ajudar a acabar com esse sofrimento. A solução é apresentada por um hindu (Nachiketa Mudaliar): adoptar uma criança americana. Fazal Elahi parte à procura de pacificação. Ele precisa de se completar. São 620 páginas de procura da bondade pela bondade, do perdão pelo perdão, sem recompensa nem retribuição além do acto em si. Desta forma, a ligação entre tudo e todos poderá ser o mais pura possível.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A DOR QUE DÓI MAIS



Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

                                                           Martha Medeiros