quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Canto de regresso à pátria



Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo


Oswald de Andrade

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ser poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Soneto de infância

Ainda lembro das noites movimentadas na minha rua
Das inúmeras e não tão inocentes brincadeiras
Essas lembranças animam minha vida ainda crua
A cada instante passa um turbilhão de memórias.

Os gritos, as carreiras, as brigas, os amigos
Minha infância não teria valido a pena
Sem sentir a força do vento nos cabelos
O medo do cipó perpassando a perna.

Era o cipó da pobre goiabeira que sofria
Todo dia um era tirado para as ameças
E a profecia geralmente se cumpria.

Mas ainda assim éramos felizes
Hoje não vejo as crianças correndo
Estão em seu mundo brincando de reis.



domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo

                                                                   
Nunca fui fã desse tal de domingo
sempre preferir a bela e forte segunda-feira
Nela eu fico livre como um flamingo
As ideias emergem e não fico de bobeira.


Meu Avohai

                                           
Acredito piamente no velho ditado que diz que pai é quem cria
Se ser pai é cuidar, educar, dar amor, carinho e apoia
Então, eu posso dizer que tive um grande pai
A vida me deu de presente um avô que se fez de avohai.

Meu avohai, meu pai-avô ou avô-pai, como queiram
Uma vida dedicada a cuidar dos netos que ganhara
Quando eu estava feliz, ele ficava radiante
Sua luta para cuidar da família era constante.

Mas Deus precisou levar de mim a minha fortaleza
E me deixou à deriva como um barco sem leme
Perdi, de forma abrupta, o amor e a leveza
Que tive todos os dias da minha vida ainda íngreme.

Pk Dutra

Quero um amor

                                                   
Cansei de tudo que me tira a paz e o sossego da alma
Agora só quero por perto quem me tira sorrisos e me acalma
Não quero dinheiro, mansão, apólices, carros...
Só quero um amor para chamar de meu.

Preciso com urgência de um motivo para ser feliz
De um homem de verdade e não um aprendiz
Um deus-menino para pôr em festa meu coração
Um amor para estar comigo a cada estação.

  Pk Dutra

sábado, 7 de dezembro de 2013

Aluísio Azevedo


Aluísio Azevedo (1857-1913) foi escritor brasileiro. "O Mulato" foi o romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. Foi também caricaturista, jornalista e diplomata. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Aluísio Azevedo (1857-1913) nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 14 de abril de 1857. Levado pelo irmão, o teatrólogo e jornalista Artur Azevedo, viajou para o Rio de Janeiro aos 17 anos de idade. Começou a estudar na Academia Imperial de Belas-Artes, onde revelou seus dons para o desenho. Logo passou a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas.
Com a morte do pai, em 1879, Aluísio volta para São Luís e se dedica a literatura. Publica seu primeiro romance, "Uma Lágrima de Mulher", em 1880, onde se mostra exageradamente sentimental e de estilo romântico. Em 1881 edita "O Mulato", romance que iniciou o Movimento Naturalista no Brasil. A obra denunciava o preconceito racial existente na burguesia maranhense Com a reação negativa da sociedade, Aluísio volta para o Rio de Janeiro.
Aluísio Azevedo abandonou as tendências românticas em que se formara, para, influenciado por Eça de Queirós e Émile Zola, tornar-se o precursor do Movimento Realista-Naturalista. No Rio de Janeiro, passou a viver com a publicação de folhetins românticos a alguns relatos naturalistas. Viveu durante 15 anos do que ganhava como escritor.
Preocupado com a realidade cotidiana, seus tema prediletos foram a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios e o povo humilde. Na obra "O Cortiço", Aluísio retrata o aumento da população no Rio de Janeiro e o aparecimento de núcleos habitacionais, denominados cortiços, onde se aglomeravam trabalhadores e gente de atividades incertas. O grande personagem do romance é o próprio cortiço.
Em 1895, com quase quarenta anos, Aluísio ingressa na carreira diplomática, atuando como cônsul do Brasil no Japão, na Espanha, Inglaterra, Itália, Uruguai, Paraguai e Argentina. Durante todo esse período não mais se dedicou a produção literária.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo morreu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de Janeiro de 1913.

Obras de Aluísio Azevedo

Uma Lágrima de Mulher, romance, 1879
Os Doidos, teatro, 1879
O Mulato, romance, 1881
Memórias de um Condenado, romance, 1882
Mistérios da Tijuca, romance, 1882
A Flor de Lis, teatro, 1882
A Casa de Orates, teatro, 1882
Casa de Pensão, romance, 1884
Filomena Borges, romance, 1884
O Coruja, romance, 1885
Venenos que Curam, teatro, 1886
O Caboclo, teatro, 1886
O Homem, romance, 1887
O Cortiço, romance, 1890
A República, teatro, 1890
Um Caso de Adultério, teatro, 1891
Em Flagrante, teatro, 1891
Demônios, contos, 1893
A Mortalha de Alzira, romance, 1894
O Livro de uma Sogra, romance, 1895
Pegadas, contos, 1897
O Touro Negro, teatro, 1898